
Mas, não sei lidar com o sentimento de perda. Não é o facto do meu clube perder, ou algo do género. É a perda humana que me assusta.
Faz hoje seis anos que o meu avô paterno morreu. Foi até agora a maior perda que tive. Ainda hoje recordo as suas estórias, ainda sinto o bigode alinhado a arranhar-me o rosto quando me beijava, sinto o cheiro da sua roupa sempre a tabaco. Mas são recordações… isso para mim não me chega… preciso de sentir as pessoas… preciso de sentir a o medo, os anseios, o cheiro o toque… Preciso de movimento…
E quando penso que os meus avós, de “quase oitenta anos” sofridos, que me criaram, que vivem comigo, que me amam como os meus pais podem… morrer?! Sinto uma dor antecipada. E os meus pais? Sei que não andam bem… nem um nem outro… se algo lhes acontece e nunca poder retribuir tudo aquilo que eles fizeram por mim…!? Até o amor da minha vida eu tenho medo de perder. Assumo que é verdade as palavras que ele tanta vez profere: “As coisas quando têm que acontecer acontecem, não importa o sítio onde estamos” Mas mesmo assim, mantenho o coração apertado de cada vez que ele sai. Quantas vezes choro em segredo.
Sei que os amo… muito mais que a própria vida… que a vida sem eles morreu…